Eu sou o autismo

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Comentário ao pema “Eu sou o autismo”

I Am Autism

by Alfonso Cuarón and Billy Mann
(transcrição do vídeo)

Eu sou autismo:
Eu sou autismo.
Sou visível nas suas crianças, mas se puder ajudar, sou
invisível ate ser demasiado tarde.
Eu sei onde você vive, e sabe o que mais? Eu vivo lá também.
Eu pairo em torno de você.
Eu não conheço nenhuma barreira de cor, religião,
moralidade, nenhuma moeda.
Eu falo a sua língua fluentemente e, a cada voz que leva embora, adquiro uma nova língua.
Eu trabalho rapidamente. Eu trabalho mais rápido que a SIDA,
o cancro e o diabetes pediátricos juntos.
E, se você é casado e feliz, vou-me certificar de que sua união
falhará. O seu dinheiro cairá nas minhas mãos e levá-lo-ei à
falência para meu próprio lucro.
Eu não durmo, assim eu tenho certeza de que você também
não dormirá. Eu tornarei virtualmente impossível que a sua
família frequente um templo, uma festa de aniversário, um
parque, sem esforço, sem embaraço, sem dor.
Você não me pode curar. Os cientistas não têm recursos e eu
saboreio o desespero deles.
Os seus vizinhos estão felizes por fingir que eu não existo,
claro, ate que seja com a criança deles. Eu sou o autismo.
Não me importa o que é certo ou errado. Eu tiro grande prazer
da sua solidão. Eu lutarei para levar embora a sua esperança.
Eu tentarei roubar-lhe as suas crianças e os seus sonhos.
Eu vou me certificar de que, a cada dia em que você acordar,
gritará, querendo saber: “Quem cuidara da minha criança
depois que eu morrer?” A verdade é que eu estou ganhando e
você tem medo, e deve mesmo ter.

Eu sou o autismo
Você me ignorava. Isso e um erro.

Eu sou o autismo” é um poema escrito por Billy Mann, um compositor nomeado para um grammy, produtor de musica e membro da Autism Speaks e pai de uma criança autista. Juntamente com Alfonso Cuaron, vencedor de um Óscar e também pai de um autista, realizou um vídeo bastante controverso, mostrando o quão profundo pode ser o impacto do autismo sobre as respectivas famílias.

            Do meu ponto de vista? Cruel, mas absolutamente necessário. Acordar sem continuar cansada… dormir sem estar preocupada com o futuro… rir sem pensar na dor de “quem cuidará da minha criança quando eu morrer?”

            É preciso que alguém veja com olhos de ver. É preciso que não nos apontem o dedo por estarmos a fazer o melhor pela nossa família.

            Nós, filhos, pais e irmãos do autismo, temos direito a viver a nossa vida em sociedade e esta tem o dever de proporcionar o apoio necessário, aceitando e respeitando as condicionantes que a situação impõe, pois a nossa realidade assim o exige. Na verdade até existem legislações, pura ficção toldada pelo medo da discriminação.

            A intolerância de pessoas que ignoram (porque é mais cómodo ignorar), porque é mais fácil dizer: “não temos nada a ver com isso”, só leva à segregação e isolamento das nossas famílias, que acabam por ceder às pressões, seja pela necessidade financeira, seja pela necessidade de aceitação por parte da comunidade que não vê com bons olhos as limitações inevitáveis, mas essenciais para se manter um mínimo de qualidade de vida, com um mínimo de dignidade.

            Nós, filhos, pais e irmãos do autismo, não queremos a vossa piedade, mas sim a vossa compreensão.

Nós, filhos, pais e irmãos do autismo, reivindicamos apenas o direito à felicidade. Pelo menos, deixem-nos tentar…

Martha Santos (Mãe de autista, 17 anos)


One Comment

  1. Saou mae de um autista e sei oque e ser tidoa como coitada .
    Poque se meu filho e meu anjo

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